O presidente iraniano Masoud Pezeshkian usou seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, para acusar os Estados Unidos e Israel de alimentar a instabilidade global e de realizar ataques que classificou como ilegais contra civis e infraestruturas iranianas. Sua intervenção foi uma resposta direta às declarações feitas no dia anterior pelo presidente americano Donald Trump, que afirmou estar considerando a possibilidade de chegar a um acordo com Teerã ou “aniquilar” o Irã após quase sete meses de guerra. Pezeshkian apresentou seu país como vítima de agressões e afirmou que o Irã continuará se defendendo.
Pezeshkian responde diretamente às declarações de Trump
Em seu discurso, Pezeshkian contestou a forma como Trump descreve o Irã e o conflito em andamento. O presidente iraniano afirmou que Trump havia chamado os iranianos de terroristas, enquanto, segundo ele, o próprio Irã teria sido vítima do terrorismo. Ele também rejeitou a ideia de que Teerã seja responsável pela instabilidade regional ou internacional.
Pezeshkian questionou se o Irã deveria ser considerado responsável pela desordem quando, segundo sua posição, busca apenas viver de forma independente. Em seguida, devolveu a acusação àqueles que considera responsáveis por ataques e crimes, perguntando se eles poderiam realmente se apresentar como defensores da paz e da estabilidade.
O discurso também contrariou a narrativa defendida por Trump de que o Irã buscaria desesperadamente um acordo de paz após as eleições americanas de meio de mandato de 3 de novembro. Pezeshkian, em vez disso, concentrou sua mensagem na resistência iraniana, nos ataques sofridos e nas condições apresentadas por Teerã para retomar uma via diplomática.
Presidente iraniano afirma que o país continuará se defendendo
Pezeshkian declarou que o Irã continuará respondendo aos ataques “até nosso último suspiro”. A frase fez parte de um discurso mais amplo que apresentou a República Islâmica como determinada a defender seu território e seus direitos sem pedir autorização a outros países.
O presidente iraniano também afirmou que seu país não abaixará a cabeça nem abrirá mão do que considera um direito inerente. Ele reiterou que o Irã não busca possuir armas nucleares, ao mesmo tempo em que rejeitou qualquer limitação sobre o que descreveu como tecnologia nuclear pacífica.
Essa posição continua no centro da divergência entre Washington e Teerã. Os Estados Unidos afirmam que seu objetivo é impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear. O Irã sustenta que não busca esse tipo de armamento e reivindica o direito de desenvolver um programa nuclear para fins pacíficos.
Fotos de crianças mortas abrem o discurso
Pezeshkian iniciou sua fala mostrando fotografias de crianças que afirmou terem sido mortas por ataques americanos e israelenses. Dessa forma, colocou imediatamente as vítimas civis no centro de seu argumento contra Washington e Israel.
O material menciona especialmente um ataque com míssil Tomahawk contra uma escola primária em Minab, no sul do Irã, no primeiro dia da guerra. O ataque teria matado mais de 150 pessoas, incluindo aproximadamente 120 crianças, embora diferentes fontes tenham apresentado números distintos.
Uma investigação militar preliminar citada pelo New York Times em março teria concluído pela responsabilidade dos Estados Unidos, enquanto o Pentágono ainda não havia divulgado oficialmente suas conclusões no momento da reportagem.
A Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos da ONU sobre o Irã afirmou anteriormente em setembro ter encontrado “motivos razoáveis” para acreditar que os Estados Unidos cometeram um crime de guerra ao lançar ataques indiscriminados que mataram ou feriram civis, incluindo os ataques que atingiram a escola.
Trump havia ameaçado o Irã um dia antes
O discurso de Pezeshkian ocorreu um dia depois da fala de Trump perante a Assembleia Geral. O presidente americano havia declarado que tinha uma “grande decisão” a tomar entre fechar um acordo com o Irã ou seguir uma opção muito mais dura de “aniquilar” rapidamente a República Islâmica.
Trump também formulou sua decisão em termos particularmente agressivos, perguntando publicamente se deveria empurrar o Irã para uma situação sem perspectiva de sobrevivência ou de futuro. Suas declarações serviram como pano de fundo direto para a resposta de Pezeshkian na quarta-feira.
Trump já não estava presente nas Nações Unidas durante o discurso do presidente iraniano. Ele havia retornado a Washington durante a noite antes da chegada do presidente chinês Xi Jinping para uma visita de Estado.
Reunião entre autoridades americanas e iranianas realmente aconteceu
Apesar da retórica dura de Trump, representantes americanos e iranianos se reuniram na terça-feira à margem da Assembleia Geral. Trump disse mais tarde a jornalistas que as conversas duraram três horas e foram “muito boas”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, apresentou depois uma duração diferente, afirmando que a reunião durou aproximadamente duas horas, segundo a versão iraniana. Ele disse que os representantes do Irã apresentaram condições “claras e transparentes” para permitir uma retomada da diplomacia com os Estados Unidos.
A divergência sobre o tempo exato da reunião não altera o ponto principal: os dois lados mantiveram conversas enquanto seus dirigentes trocavam declarações extremamente duras na ONU.
Teerã apresenta várias condições para retomar a diplomacia
Baghaei afirmou que o Irã quer que os Estados Unidos encerrem o bloqueio naval no Golfo de Omã e parem aquilo que Teerã chama de “terrorismo econômico”. Essa expressão parece se referir aos esforços do governo Trump para aumentar a pressão econômica sobre o Irã por meio de sanções contra seus parceiros.
Entre as outras condições estão a liberação de ativos iranianos sujeitos a restrições e um acordo sobre uma “rota marítima segura” no Estreito de Hormuz. Antes da guerra, essa passagem era responsável por aproximadamente 20% do petróleo transportado mundialmente.
Essas exigências podem ser difíceis de aceitar para Washington, que repetidamente afirmou que sua prioridade é garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear. A divergência envolve, portanto, questões militares, sanções econômicas, navegação marítima e o programa nuclear.
Questão nuclear continua no centro da disputa
Pezeshkian usou seu discurso para reafirmar a posição oficial iraniana sobre a questão nuclear. Ele declarou que o Irã não pede autorização a ninguém para defender seu país e que não abrirá mão dos direitos que considera fundamentais.
Sua formulação procurou separar claramente dois elementos. Por um lado, afirmou que o Irã não quer armas nucleares. Por outro, rejeitou limitações ao desenvolvimento de novas tecnologias nucleares pacíficas.
Essa distinção é central para a posição de Teerã. Washington, por sua vez, continua tratando a prevenção de uma arma nuclear iraniana como uma prioridade. O conflito diplomático permanece, portanto, concentrado sobre quais capacidades nucleares do Irã seriam aceitáveis em um eventual acordo.
Discurso destaca distância persistente entre os dois lados
As declarações de Pezeshkian mostram que existe um canal de diálogo, mas também evidenciam a profundidade das divergências. Trump afirma que um acordo é provável após as eleições americanas de meio de mandato, enquanto o presidente iraniano adota publicamente um tom de desafio e insiste na necessidade de defender seu país.
A reunião à margem da ONU não é suficiente para demonstrar que um compromisso está próximo. O Irã apresentou condições relacionadas ao bloqueio, às sanções econômicas, aos ativos restritos e à navegação no Estreito de Hormuz. Os Estados Unidos mantêm, por sua vez, seu objetivo declarado em relação ao programa nuclear.
A situação combina, portanto, diálogo e confronto. Os dois governos conversaram, mas cada um continua apresentando exigências difíceis de conciliar.
Forças armadas iranianas também respondem às ameaças americanas
Antes mesmo do discurso de Pezeshkian na manhã de quarta-feira, as forças armadas iranianas haviam rejeitado as últimas ameaças de Trump, classificando-as como sinal de “desespero estratégico”. Também afirmaram estar preparadas para intensificar seus próprios ataques, se necessário.
Essa reação militar reforçou o tom geral adotado por Pezeshkian na ONU. O presidente iraniano não apresentou seu país como disposto a ceder sob pressão. Em vez disso, insistiu em resistência, defesa nacional e disposição para continuar combatendo.
Ao mesmo tempo, a existência das conversas realizadas em Nova York mostra que Teerã não fechou completamente a porta para a diplomacia. A mensagem iraniana combina, portanto, recusa em capitular e definição de condições para retomar negociações.
Uma intervenção marcada por confronto e diplomacia
O discurso de Pezeshkian na Assembleia Geral serviu principalmente para responder diretamente às acusações e ameaças feitas por Trump no dia anterior. Ele apresentou o Irã como vítima das ações americanas e israelenses, denunciou as perdas civis e rejeitou a ideia de que seu país seja a principal fonte de instabilidade.
Ao mesmo tempo, as conversas entre representantes dos Estados Unidos e do Irã mostram que algum diálogo continua possível, apesar do elevado nível de confronto público. As condições anunciadas por Baghaei indicam, porém, que uma retomada diplomática exigiria mudanças importantes por parte de Washington, segundo a posição iraniana.
Nenhum acordo foi anunciado nas informações fornecidas. A guerra se aproxima de seu oitavo mês, Trump continua mencionando tanto a possibilidade de um acordo quanto uma escalada de grande intensidade, enquanto Pezeshkian afirma que o Irã seguirá se defendendo.
O discurso em Nova York confirma, portanto, que os dois lados continuam muito distantes um do outro, mesmo com contatos diplomáticos acontecendo em paralelo. A relação entre Washington e Teerã permanece marcada por pressão militar, divergências sobre o programa nuclear, sanções econômicas e disputas sobre a segurança das rotas marítimas.
A mensagem de Pezeshkian foi de resistência, mas não de fechamento completo das negociações. O presidente iraniano buscou responder diretamente às ameaças de Trump, defender a posição de seu país e apresentar o Irã como vítima de agressões externas. Ao mesmo tempo, as reuniões ocorridas nos bastidores da ONU mostram que ainda existem canais diplomáticos ativos.
Por enquanto, no entanto, não há indicação confirmada de que esses contatos tenham aproximado substancialmente as posições. O Irã mantém suas condições, os Estados Unidos continuam exigindo garantias sobre o programa nuclear e a guerra prossegue sem uma solução clara anunciada.