O ouro caiu abaixo de US$ 4.350 por onça nesta quarta-feira e permaneceu sob pressão, enquanto investidores avaliavam sinais mais duros de autoridades do Federal Reserve e a continuidade da queda dos preços do petróleo. O movimento colocou em evidência duas forças diferentes para o mercado: de um lado, comentários do Fed reforçaram preocupações de que a inflação possa continuar elevada por mais tempo; de outro, o petróleo mais barato ajudou a reduzir parte das expectativas de pressão inflacionária e de novas altas de juros.
A queda do ouro ocorreu depois que autoridades do banco central americano sinalizaram cautela sobre a trajetória da inflação. Na terça-feira, Tom Barkin, do Federal Reserve de Richmond, alertou que choques inflacionários podem levar tempo para desaparecer. Susan Collins, do Fed de Boston, afirmou que apoiou a alta de juros da semana anterior diante da preocupação de que a inflação futura possa continuar acima da meta de 2%.
Comentários do Fed mantêm pressão sobre o ouro
Os comentários de Barkin e Collins reforçaram a percepção de que o Federal Reserve continua atento aos riscos de inflação, mesmo em um momento em que alguns fatores de preços começam a apresentar alívio. Para o ouro, esse tipo de sinal tende a ser relevante porque as expectativas sobre juros influenciam diretamente a forma como investidores avaliam ativos que não oferecem rendimento.
Barkin destacou que choques de inflação podem demorar a perder força. A observação sugere que o Fed não considera necessariamente que uma desaceleração pontual de alguns preços seja suficiente para declarar encerrado o risco inflacionário. Collins, por sua vez, disse ter apoiado a alta de juros anunciada na semana anterior porque a inflação ainda pode permanecer acima do objetivo de 2%.
Essas declarações pesaram sobre o ouro ao reforçar a possibilidade de que as condições monetárias continuem restritivas caso as pressões de preços persistam. O metal caiu abaixo de US$ 4.350 por onça e continuou negociado sob pressão durante a sessão de quarta-feira.
Petróleo cai pela sexta sessão consecutiva
Ao mesmo tempo, os preços do petróleo prolongaram a queda pelo sexto pregão seguido. Esse movimento trouxe um contraponto aos sinais duros do Fed, já que custos de energia menores ajudam a reduzir preocupações com inflação mais alta e com a necessidade de novas elevações de juros.
A queda do petróleo veio depois que o presidente Donald Trump afirmou que autoridades dos Estados Unidos tiveram uma “reunião muito boa” com enviados iranianos. A declaração aumentou a atenção sobre a possibilidade de alguma redução das tensões entre Washington e Teerã.
O Irã também afirmou que poderia reabrir o Estreito de Hormuz em até sete dias caso os Estados Unidos aliviem a pressão militar e suspendam o bloqueio de portos iranianos. A possibilidade de reabertura do estreito adicionou um elemento importante ao movimento do petróleo, porque o mercado passou a considerar um cenário em que parte das tensões que sustentavam os preços pudesse diminuir.
Queda do petróleo reduz parte da pressão inflacionária
O recuo dos preços de energia é relevante para a perspectiva de inflação porque custos menores de petróleo podem aliviar pressões sobre diversos componentes da economia. No contexto apresentado, esse movimento reduz parte das preocupações de que a inflação permaneça elevada e, consequentemente, diminui parte do temor de novas altas de juros.
Ainda assim, esse efeito não foi suficiente para inverter a pressão sobre o ouro. Os comentários de Barkin e Collins mantiveram o foco do mercado sobre a possibilidade de inflação persistente e sobre uma política monetária ainda cautelosa.
O resultado foi um ambiente misto: petróleo em queda sugerindo menor pressão inflacionária, enquanto autoridades do Fed indicavam que riscos de inflação ainda não haviam desaparecido. Nesse equilíbrio, o ouro permaneceu abaixo de US$ 4.350 por onça.
Irã e Estados Unidos entram novamente no foco dos mercados
As declarações de Trump e de autoridades iranianas colocaram novamente a relação entre Estados Unidos e Irã no centro da atenção. Trump disse que representantes americanos tiveram uma reunião considerada “muito boa” com enviados iranianos, enquanto Teerã indicou disposição para reabrir o Estreito de Hormuz se algumas condições forem atendidas.
Segundo a posição iraniana mencionada, a reabertura poderia ocorrer dentro de sete dias se os Estados Unidos reduzirem a pressão militar e levantarem o bloqueio de portos do país. A notícia contribuiu para a continuidade da queda do petróleo, já que o mercado passou a avaliar a possibilidade de menor risco de interrupções.
Essa mudança de percepção ajuda a explicar por que o petróleo caiu por seis sessões consecutivas. O mercado de energia vinha reagindo às tensões geopolíticas, e qualquer sinal de redução de risco tende a influenciar expectativas relacionadas à oferta e ao transporte.
Menor tensão ajuda a aliviar os preços de energia
A perspectiva de uma eventual reabertura do Estreito de Hormuz reduz parte da preocupação com a continuidade das restrições na região. No material fornecido, esse desenvolvimento aparece diretamente ligado ao movimento de queda do petróleo.
Para o ouro, porém, a relação é menos direta. O metal recebeu algum suporte potencial da redução das preocupações inflacionárias, mas esse fator foi superado pelos sinais do Federal Reserve. Assim, a queda do petróleo funcionou mais como elemento de alívio do que como catalisador suficiente para mudar a direção do ouro.
Importações chinesas de ouro superam 1.000 toneladas
Fora dos Estados Unidos, a China apresentou outro dado relevante para o mercado do metal. As importações chinesas de ouro até agosto superaram 1.000 toneladas, ultrapassando já o total registrado em todo o ano de 2025.
O avanço foi associado à forte demanda de investimento. Esse dado mostra que a procura chinesa por ouro permaneceu elevada ao longo dos primeiros oito meses de 2026, mesmo enquanto o mercado global acompanha mudanças nas expectativas de juros, inflação e energia.
A China é, portanto, um componente importante no cenário descrito. Enquanto o ouro enfrenta pressão no curto prazo por causa dos sinais do Fed, as importações chinesas indicam demanda relevante por parte de investidores no país.
Demanda de investimento sustenta compras na China
O fato de as importações terem superado 1.000 toneladas antes do fim do ano chama atenção porque o volume já ultrapassou o total de 2025. O material atribui esse desempenho à forte demanda de investimento.
Esse movimento não elimina a pressão provocada pelo cenário de juros nos Estados Unidos, mas adiciona uma dimensão diferente ao mercado. De um lado, investidores globais acompanham o Fed e a inflação. De outro, a demanda chinesa continua elevada, mostrando que a procura física e de investimento permanece significativa.
Ouro segue entre pressão monetária e alívio vindo do petróleo
O comportamento do ouro nesta quarta-feira reflete a interação entre essas forças. Os sinais do Federal Reserve aumentaram a cautela porque Barkin e Collins ressaltaram que a inflação ainda pode permanecer resistente. Ao mesmo tempo, o petróleo mais barato oferece algum alívio ao reduzir preocupações com novas pressões inflacionárias.
Essa combinação explica por que o ouro continua pressionado mesmo com a queda da energia. A direção do metal não depende apenas de um fator isolado. O mercado está avaliando simultaneamente expectativas para inflação, juros e riscos geopolíticos.
A alta de juros da semana anterior continua presente nesse cálculo. Collins afirmou ter apoiado a decisão justamente porque a inflação futura ainda pode ficar acima de 2%. Barkin acrescentou que choques de preços podem demorar a desaparecer. Juntas, essas declarações mantêm a atenção sobre a possibilidade de condições monetárias restritivas por mais tempo.
Próximos movimentos dependem do equilíbrio entre inflação e juros
Com o ouro abaixo de US$ 4.350 por onça, o foco permanece sobre como essas forças irão evoluir. Se a queda do petróleo continuar reduzindo preocupações inflacionárias, parte da pressão sobre expectativas de juros pode diminuir. No entanto, as declarações recentes do Fed mostram que autoridades ainda veem riscos relevantes.
A possível reabertura do Estreito de Hormuz também permanece importante para o mercado de energia. O Irã condicionou essa medida ao alívio da pressão militar dos Estados Unidos e ao fim do bloqueio de seus portos. Até que haja novos desenvolvimentos, essa possibilidade continuará sendo acompanhada em conjunto com a trajetória do petróleo.
Enquanto isso, a demanda chinesa oferece outro ponto de atenção. As importações acima de 1.000 toneladas até agosto, já superiores ao total de 2025, mostram que o interesse de investimento continua forte.
No curto prazo, porém, o ouro permanece sob pressão. A queda abaixo de US$ 4.350 reflete principalmente o peso dos sinais mais duros vindos do Federal Reserve. O petróleo mais barato ameniza parte das preocupações com inflação e novas altas de juros, mas ainda não foi suficiente para mudar o tom do mercado.
O cenário atual, portanto, reúne três elementos principais: autoridades do Fed alertando para inflação persistente, petróleo recuando com sinais de menor tensão entre Estados Unidos e Irã e forte demanda chinesa por ouro. A combinação desses fatores mantém o mercado dividido entre pressões de curto prazo e sinais de suporte vindos de outros segmentos.
Até o momento, o fator dominante segue sendo a postura cautelosa do Federal Reserve. Enquanto a inflação permanecer acima da meta de 2% ou houver receio de novos choques, o ouro pode continuar sensível às expectativas de juros. Ao mesmo tempo, o avanço das importações chinesas e a queda do petróleo permanecem como elementos importantes para acompanhar nas próximas sessões.
Assim, a trajetória imediata dependerá da leitura conjunta desses sinais, sem que o material indique uma reversão definida. Por enquanto, a pressão monetária prevalece, enquanto energia mais barata e demanda chinesa oferecem contrapontos relevantes.