20 de October de 2026
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Nike enfrenta recorde de posições vendidas antes do balanço

  • setembro 30, 2026
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As ações da Nike chegam ao próximo relatório de resultados sob forte pressão do mercado. Dados da S3 Partners mostram que o interesse vendido no papel atingiu um

Nike enfrenta recorde de posições vendidas antes do balanço

As ações da Nike chegam ao próximo relatório de resultados sob forte pressão do mercado. Dados da S3 Partners mostram que o interesse vendido no papel atingiu um recorde de 87 milhões de ações, ante 55 milhões ao longo do último ano. A participação das posições vendidas sobre o total de ações disponíveis para negociação também aumentou, passando de menos de 3% para mais de 7%.

Investidores que vendem uma ação a descoberto normalmente esperam que seu preço caia. No caso da Nike, a S3 Partners observou que esses investidores continuaram aumentando sua exposição conforme o papel recuava, em vez de aproveitar a queda para fechar posições e realizar os lucros acumulados.

Segundo a empresa de pesquisa, os vendedores a descoberto acumulam aproximadamente US$ 1,4 bilhão em ganhos não realizados, calculados a valor de mercado, somente em 2026. O aumento das posições ocorre antes da divulgação dos próximos resultados da fabricante de artigos esportivos, prevista para quinta-feira.

Interesse vendido cresce enquanto as ações recuam

O comportamento identificado pela S3 Partners mostra que a queda das ações não levou os investidores vendidos a reduzir significativamente suas apostas. Pelo contrário, a quantidade de papéis vendidos aumentou de 55 milhões para o recorde atual de 87 milhões.

A evolução acompanha um período difícil para a Nike no mercado acionário. Desde o último relatório de resultados da companhia, divulgado em 28 de maio, as ações acumulam queda de aproximadamente 27%, segundo dados do Yahoo Finance AlphaSpace.

O papel também está sendo negociado próximo de sua mínima em 52 semanas. Em relação ao pico registrado um ano antes, a queda chega a aproximadamente 55%. Em uma perspectiva mais longa, o valor de mercado da companhia foi aproximadamente reduzido pela metade quando comparado aos máximos registrados em 2021.

No fechamento de 29 de setembro, a ação terminou negociada a US$ 35,84, depois de cair US$ 0,55, ou 1,51%, durante a sessão. No mercado overnight, aparecia a US$ 35,98, avanço de US$ 0,14, equivalente a 0,39%.

Analista vê vários pontos de preocupação para a Nike

Michael Binetti, analista da Evercore ISI, afirmou em nota publicada na segunda-feira que existem diversas preocupações em torno da Nike. Parte delas está relacionada à trajetória esperada das receitas e às perspectivas para os próximos períodos fiscais.

Segundo Binetti, a orientação anterior da Nike indicava desaceleração das receitas depois de uma queda de 1% na comparação anual no quarto trimestre fiscal de 2026, encerrado em maio. A companhia havia sinalizado que a receita poderia cair na faixa baixa a média de um dígito percentual no primeiro trimestre fiscal de 2027 e desacelerar novamente no segundo trimestre.

A Nike também já havia reduzido significativamente as premissas incorporadas para a China e falado sobre melhorias em inovação previstas para a primavera de 2027.

Esses elementos contribuíram para um consenso que, segundo o analista, considera uma queda de 4% nas receitas durante a primeira metade do exercício fiscal de 2027, seguida por uma recuperação para estabilidade na comparação anual durante a segunda metade.

Pedidos para a primavera de 2027 entram no radar

Binetti acredita, entretanto, que as perspectivas podem ter se deteriorado desde a divulgação dos resultados do quarto trimestre fiscal. Segundo sua análise, a marca teria observado cancelamentos ou revisões negativas de pedidos de varejistas para a primavera de 2027.

O analista considera que essas mudanças podem resultar em uma perspectiva ainda mais negativa para as receitas da Nike durante a segunda metade do exercício fiscal de 2027.

Essa possibilidade aumenta a atenção sobre a próxima divulgação de resultados. A empresa já havia indicado que provavelmente não retomaria uma orientação anual completa até o encontro com analistas previsto para novembro.

Binetti observou que, com a entrada de um novo diretor financeiro, poderia fazer sentido para a Nike sinalizar uma expectativa menor para as receitas da segunda metade do exercício já na próxima divulgação.

Na avaliação do analista, isso permitiria que a companhia mantivesse o encontro de novembro mais concentrado em sua estratégia de recuperação de longo prazo, evitando que revisões de curto prazo dominassem as discussões durante uma apresentação considerada importante.

Próximo balanço chega após 12 meses difíceis

Um relatório fraco acrescentaria pressão a um período já complicado para as ações da Nike. A queda de aproximadamente 27% desde 28 de maio ocorre enquanto o papel se aproxima de sua mínima anual e permanece muito abaixo do pico observado um ano antes.

O crescimento das posições vendidas oferece outro indicador do nível de cautela existente no mercado antes dos resultados. Os 87 milhões de papéis vendidos a descoberto representam um recorde, enquanto a proporção sobre o float passou de menos de 3% para mais de 7%.

A S3 Partners destacou especialmente que os investidores vendidos não estão simplesmente mantendo posições antigas. Eles continuaram adicionando exposição conforme as ações perderam valor.

Com aproximadamente US$ 1,4 bilhão em ganhos não realizados acumulados durante 2026, esses investidores mantiveram suas posições apesar da oportunidade de realizar lucros após a desvalorização já registrada.

O próximo relatório será observado justamente diante dessa combinação de expectativas reduzidas para receitas, dúvidas sobre pedidos futuros e desempenho negativo das ações.

Mbappé encerrou sua longa relação comercial com a Nike

Além das preocupações financeiras, a Nike enfrentou recentemente mudanças relacionadas à sua presença esportiva e ao mercado acionário. Neste mês, o jogador de futebol Kylian Mbappé encerrou sua relação comercial de longo prazo com a companhia.

Mbappé anunciou que passará a trabalhar com a empresa suíça de artigos esportivos On. A mudança encerra uma associação prolongada do jogador com a Nike e acrescenta outro acontecimento relevante em um período de elevada atenção sobre a marca.

Na semana passada, a Nike também foi retirada do índice S&P 100. A exclusão encerrou uma permanência de 18 anos da companhia no índice.

Esses acontecimentos não são apresentados como causas isoladas da queda das ações, mas fazem parte do conjunto de eventos recentes envolvendo a companhia enquanto investidores aguardam novas informações sobre seu desempenho financeiro e sua estratégia de recuperação.

Descontos sobre produtos também geraram preocupação

Outro sinal de pressão surgiu no final de agosto, quando a Dick’s Sporting Goods apresentou uma avaliação negativa sobre seu próprio negócio e citou, entre os fatores envolvidos, os descontos elevados aplicados pela Nike a produtos com vendas mais lentas.

Essa situação adicionou uma nova questão ao cenário enfrentado pela fabricante de artigos esportivos. A capacidade de movimentar estoques e a necessidade de descontos aparecem no momento em que o mercado também acompanha a evolução das receitas e as perspectivas dos pedidos de varejistas.

O comentário da Dick’s Sporting Goods ocorreu poucas semanas antes do próximo balanço da Nike e depois dos resultados fiscais divulgados pela fabricante no final de junho.

A combinação dessas informações ajuda a explicar por que os investidores vendidos continuam aumentando sua exposição mesmo depois da forte queda acumulada pelo papel.

Ainda assim, o relatório fornecido não estabelece que os descontos, isoladamente, determinem o desempenho futuro da Nike. Eles são apresentados como mais um elemento entre as preocupações atualmente acompanhadas pelo mercado.

Receita do quarto trimestre fiscal caiu para US$ 11 bilhões

No final de junho, a Nike informou receita de US$ 11 bilhões em seu quarto trimestre fiscal. O resultado representou uma queda de 1% na base reportada em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em termos neutros de moeda, a retração foi maior, chegando a 4%. Esses números formam a base para parte das expectativas apresentadas posteriormente sobre a trajetória das receitas nos primeiros períodos do exercício fiscal de 2027.

A orientação mencionada por Binetti apontava para uma desaceleração depois dessa queda de 1%, seguida por uma deterioração adicional no segundo trimestre fiscal.

O consenso citado pelo analista considera que as receitas poderiam encontrar seu ponto mais fraco na primeira metade do exercício fiscal de 2027, com queda anual de aproximadamente 4%, antes de retornarem para estabilidade durante a segunda metade.

A possibilidade de revisões negativas nos pedidos para a primavera de 2027, entretanto, levou Binetti a questionar se essa recuperação prevista para a segunda metade permanece adequada.

Mercado aguarda novos sinais sobre a recuperação

A divulgação de quinta-feira poderá fornecer novas informações sobre a trajetória que a Nike havia apresentado anteriormente. O foco inclui a evolução das receitas, as expectativas para os próximos trimestres e qualquer sinalização relacionada à segunda metade do exercício fiscal de 2027.

Binetti considera possível que a companhia reduza as expectativas para esse período antes do encontro com analistas em novembro. Essa avaliação pertence ao analista e não representa uma orientação já anunciada pela Nike.

Da mesma forma, as posições vendidas mostram as expectativas dos investidores que apostam na queda do papel, mas não estabelecem por si mesmas qual será o comportamento futuro das ações.

O que os números atuais demonstram é um aumento expressivo dessa exposição. O interesse vendido chegou a 87 milhões de ações, contra 55 milhões no último ano, enquanto sua participação no float superou 7%.

Ao mesmo tempo, as ações acumulam queda de cerca de 27% desde o balanço de maio, estão próximas da mínima de 52 semanas e permanecem aproximadamente 55% abaixo do pico registrado um ano atrás.

O próximo relatório chega, portanto, em um momento no qual a Nike enfrenta expectativas reduzidas de receita, questionamentos sobre pedidos futuros, descontos em produtos de venda lenta e uma forte desvalorização no mercado. Para os vendedores a descoberto, que acumulam cerca de US$ 1,4 bilhão em ganhos não realizados neste ano, a deterioração já produziu resultados expressivos. O balanço de quinta-feira deverá fornecer os próximos dados para avaliar se as preocupações atualmente refletidas nas posições vendidas encontram respaldo na evolução operacional apresentada pela companhia.

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