SpaceX leva Starship à órbita pela primeira vez no 14º voo de teste
- setembro 29, 2026
- 0
A SpaceX completou na segunda-feira o 14º voo de teste de seu enorme foguete Starship e alcançou um marco inédito para o programa: colocou a espaçonave em órbita
A SpaceX completou na segunda-feira o 14º voo de teste de seu enorme foguete Starship e alcançou um marco inédito para o programa: colocou a espaçonave em órbita

A SpaceX completou na segunda-feira o 14º voo de teste de seu enorme foguete Starship e alcançou um marco inédito para o programa: colocou a espaçonave em órbita pela primeira vez. O lançamento ocorreu a partir de Starbase, no Texas, cidade e instalação de lançamento da empresa, diante de funcionários que acompanharam a missão. Além de chegar à órbita, a companhia de Elon Musk implantou com sucesso 26 de seus novos satélites Starlink V3, vinculando diretamente o avanço do foguete aos planos de expansão de seu negócio de conectividade.
A transmissão ao vivo do teste pela rede social X mostrou o foguete decolando às 8h48 no horário do leste dos Estados Unidos, ou 7h48 no horário local. A Starship alcançou a órbita por volta das 8h15 locais, enquanto funcionários da SpaceX comemoravam o resultado. Pouco depois do lançamento, o propulsor realizou uma amerissagem suave ao largo da costa de Starbase. A espaçonave continuou sua subida, embora um de seus motores de vácuo tenha apagado durante a trajetória suborbital.
Nenhum dos 13 voos de teste anteriores havia sido planejado para colocar a Starship em órbita. Para a 14ª missão, a SpaceX esperava que a espaçonave desse várias voltas ao redor do planeta e pousasse ao largo da costa do Chile. O plano acabou sendo alterado durante o voo, com a empresa realizando um pouso antecipado da Starship. A espaçonave amerissou por volta das 10h58 no horário local.
Ainda assim, a chegada à órbita representou um avanço importante em relação aos testes anteriores. A SpaceX projetou o conjunto Starship Super Heavy para ser totalmente reutilizável e transportar mais carga para a órbita a um custo menor do que qualquer espaçonave anterior. A missão de segunda-feira demonstrou progresso em alguns desses objetivos, mas a empresa ainda não comprovou a reutilização e a confiabilidade do sistema Starship Super Heavy.
O resultado também veio depois de metas anteriores anunciadas por Musk que não foram cumpridas nos prazos originalmente mencionados. Ele havia afirmado que a Starship alcançaria a órbita em 2022 e começaria a implantar satélites em 2023. Em novembro de 2024, Musk disse que a SpaceX realizaria pelo menos um voo da Starship a cada duas semanas até o fim de 2025.
Além do avanço orbital, a 14ª missão implantou 26 satélites Starlink V3. A capacidade de transportar essa nova geração é central para os planos da SpaceX, que pretende utilizar a Starship para ampliar seu negócio Starlink, também chamado de Connectivity.
No segundo trimestre, essa divisão era o maior e único segmento lucrativo da SpaceX. Atualmente, a empresa opera cerca de 11 mil satélites ativos em órbita, em comparação com aproximadamente 650 da concorrente Eutelsat OneWeb. A escala da constelação ajuda a explicar por que a capacidade de carga da Starship tem importância para os planos de crescimento da companhia.
Segundo a SpaceX, uma única Starship pode transportar 60 dos novos satélites Starlink V3 para a órbita. Isso representa aproximadamente 20 vezes a capacidade de um lançamento realizado pelos foguetes Falcon 9 anteriores. O teste de segunda-feira utilizou apenas parte desse potencial ao implantar 26 unidades, mas demonstrou a colocação dos novos satélites durante a primeira missão orbital do veículo.
A SpaceX conta com seu foguete de grande porte para aumentar a escala do Starlink. Durante a teleconferência de resultados da empresa em agosto, Musk afirmou que não estava fora de questão que, em algum momento, o Starlink fornecesse a maior parte da internet mundial, pelo menos nos países onde a companhia tem permissão para operar.
Segundo Musk, isso corresponde à grande maioria dos países. A declaração apresenta a dimensão da ambição atribuída ao serviço de conectividade, enquanto a Starship oferece uma capacidade de transporte significativamente maior para colocar novos equipamentos em órbita.
O aumento da capacidade de lançamento oferecido pela Starship pode ser particularmente relevante para os satélites V3, que são maiores e mais potentes do que as versões anteriores.
Os satélites Starlink V3 são produzidos em uma instalação da SpaceX em Redmond, no estado de Washington. Segundo as informações divulgadas, eles possuem painéis solares capazes de gerar duas vezes mais energia do que as gerações anteriores.
Além de maiores, os novos satélites foram projetados para oferecer mais potência e transmitir dados com maior velocidade aos assinantes do Starlink. Essas características aumentam a importância da capacidade de carga disponível para colocá-los em órbita.
A SpaceX afirma que uma Starship poderá transportar 60 unidades V3 em uma missão. A diferença em relação ao Falcon 9, calculada pela companhia em cerca de 20 vezes a capacidade, conecta diretamente o desenvolvimento do novo foguete à expansão planejada da constelação.
Na missão de segunda-feira, a implantação bem-sucedida de 26 satélites mostrou essa relação em uma operação real. O teste não demonstrou a capacidade máxima anunciada de 60 unidades, mas incluiu o transporte e a liberação dos V3 enquanto a Starship completava seu primeiro voo até a órbita.
Embora o 14º teste tenha atingido marcos que os anteriores não buscavam, a SpaceX ainda não demonstrou plenamente duas características fundamentais de seu projeto: reutilização e confiabilidade.
O Starship Super Heavy foi concebido para ser totalmente reutilizável. A intenção é combinar essa característica com uma capacidade de carga elevada e custos menores para colocar equipamentos em órbita. O voo de segunda-feira avançou no desempenho orbital e na implantação de satélites, mas não encerrou os testes necessários para comprovar todos os objetivos do sistema.
O propulsor realizou uma amerissagem suave pouco depois da decolagem, enquanto a espaçonave continuou subindo. Um dos motores de vácuo apagou durante a trajetória suborbital. Posteriormente, em vez de completar as múltiplas voltas ao planeta e pousar ao largo do Chile conforme inicialmente esperado, a SpaceX optou por uma amerissagem antecipada.
Esses acontecimentos fazem parte do resultado do teste e coexistem com os dois principais marcos alcançados: a primeira chegada da Starship à órbita e a implantação dos 26 satélites V3.
A importância da Starship para a SpaceX não se limita ao Starlink. A empresa está preparando o foguete para um grande voo de teste da NASA previsto para o próximo ano e pretende utilizá-lo para levar astronautas americanos novamente à superfície da Lua.
Esse objetivo adiciona outra frente ao desenvolvimento do sistema. Enquanto a expansão da constelação Starlink depende da capacidade de colocar grandes quantidades de carga em órbita, os planos relacionados à NASA exigem que a SpaceX continue avançando na preparação do veículo.
O teste de segunda-feira não representou a missão da NASA mencionada, que está planejada para o próximo ano. Seu resultado, entretanto, mostrou que a Starship conseguiu atingir pela primeira vez a órbita durante o programa de testes.
A companhia continua trabalhando no sistema enquanto busca demonstrar as capacidades de reutilização e confiabilidade que ainda não foram comprovadas. Esses elementos permanecem importantes tanto para os planos comerciais da SpaceX quanto para os usos futuros apresentados para o foguete.
A companhia também relaciona a Starship a planos de infraestrutura de inteligência artificial em órbita. Durante o All-In Summit realizado no início de setembro, a diretora de operações da SpaceX, Gwynne Shotwell, afirmou que a empresa pretende utilizar a Starship para colocar supercomputação no espaço.
Segundo Shotwell, a SpaceX planeja lançar satélites de computação de IA em órbita em 2027. A declaração adiciona esse objetivo aos usos já descritos para o foguete, que incluem a expansão da Starlink e a preparação para uma missão importante da NASA.
O material fornecido não apresenta detalhes adicionais sobre quantidade, especificações ou operação desses futuros satélites de computação.
Essa perspectiva amplia o conjunto de aplicações associadas ao sistema, mas o programa ainda precisa avançar além dos resultados obtidos no 14º teste.
A missão de 28 de setembro reuniu vários acontecimentos importantes para o desenvolvimento da Starship. Pela primeira vez, a espaçonave chegou à órbita, algo que não havia sido objetivo dos 13 testes anteriores. A SpaceX também conseguiu implantar 26 satélites Starlink V3 durante o voo.
O propulsor realizou uma amerissagem suave perto de Starbase, enquanto a espaçonave prosseguiu em sua trajetória antes de realizar uma amerissagem antecipada por volta das 10h58 no horário local. A missão não seguiu integralmente a expectativa de circular o planeta várias vezes e pousar próximo à costa chilena.
Para a SpaceX, o avanço orbital está diretamente ligado a projetos que dependem da capacidade de carga da Starship. A empresa pretende ampliar a constelação Starlink, preparar o foguete para o teste da NASA no próximo ano e, segundo Shotwell, lançar satélites de computação de inteligência artificial em 2027.
A capacidade anunciada de transportar 60 satélites Starlink V3 por lançamento representa aproximadamente 20 vezes a capacidade do Falcon 9. Os V3, por sua vez, possuem painéis solares com o dobro da geração de energia das versões anteriores e foram projetados para transmitir dados mais rapidamente.
O 14º voo não demonstrou todas as capacidades previstas para o sistema. Reutilização e confiabilidade ainda precisam ser comprovadas. Porém, dentro dos objetivos descritos para esta etapa, a chegada à órbita e a implantação de 26 satélites colocaram o programa em uma fase diferente dos testes anteriores, enquanto a SpaceX continua preparando a Starship para seus planos de conectividade, missões espaciais e infraestrutura orbital.