20 de October de 2026
Notícias

EUA ampliam presença militar na Groenlândia em novo acordo

  • setembro 22, 2026
  • 0

Os Estados Unidos planejam reabrir uma base militar da era da Guerra Fria no sul da Groenlândia e instalar forças em um posto no leste do território, atualmente

EUA ampliam presença militar na Groenlândia em novo acordo

Os Estados Unidos planejam reabrir uma base militar da era da Guerra Fria no sul da Groenlândia e instalar forças em um posto no leste do território, atualmente utilizado pela patrulha dinamarquesa de trenós puxados por cães. O presidente Donald Trump afirmou que o entendimento daria aos Estados Unidos “controle permanente sobre a segurança” e outras necessidades relacionadas ao território, embora os termos completos do pacto ainda não tenham sido divulgados.

Os dois locais citados são Narsarsuaq, no sul da ilha, e Mestersvig, na costa leste. Narsarsuaq abrigou a base norte-americana Bluie West One até a década de 1950 e hoje possui apenas algumas dezenas de moradores. Mestersvig é um posto militar usado pela Sirius Patrol, unidade de forças especiais dinamarquesas que opera em condições árticas. O acordo representa uma expansão importante da presença militar dos Estados Unidos na Groenlândia, onde atualmente a Pituffik Space Base é a única instalação norte-americana ativa.

Narsarsuaq e Mestersvig entram no centro do novo acordo

Segundo as informações divulgadas, Washington pretende restabelecer uma presença militar em Narsarsuaq e estabelecer uma nova presença em Mestersvig. Os detalhes finais, porém, permanecem em aberto. O texto integral do acordo não foi divulgado e poderá ser definido apenas quando os três governos formalizarem o entendimento em Nova York.

Também não foi informado se o acordo altera formalmente o tratado de defesa existente ou se funcionará como um novo arranjo complementar.

A Groenlândia continua sendo um território semiautônomo dentro do Reino da Dinamarca. Seu governo afirmou na semana passada que o novo acordo fortaleceria a segurança do território, da Dinamarca, dos Estados Unidos e da aliança ocidental mais ampla. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, também ressaltou que o pacto reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino, além do direito do povo groenlandês à autodeterminação.

Trump apresenta o pacto como resposta às preocupações dos EUA

Trump afirmou que o acordo atende a todas as principais preocupações de segurança dos Estados Unidos e disse que não teria custo para o país. Sua formulação, porém, foi mais ampla do que a descrição pública oferecida pela Dinamarca e pela Groenlândia. Enquanto o presidente falou em “controle permanente sobre a segurança”, autoridades dinamarquesas destacaram soberania, integridade territorial e cooperação dentro da aliança.

Ao longo do ano, Trump defendeu a aquisição do território e, em alguns momentos, recusou-se a descartar o uso de pressão militar ou econômica para alcançar esse objetivo. A posição alarmou residentes da ilha e abriu uma divisão entre países da OTAN.

Acordo surge após meses de tensão sobre o futuro da Groenlândia

A Groenlândia deixou claro anteriormente que não está à venda. A União Europeia também reagiu às declarações de Trump no início do ano e apoiou a posição de que o território não poderia ser adquirido unilateralmente. O debate provocou tensões entre Washington e aliados europeus, especialmente porque Dinamarca e Estados Unidos fazem parte da OTAN.

O novo acordo muda o foco da disputa. Em vez de uma aquisição territorial, a discussão passa a se concentrar em acesso militar, segurança do Ártico e limitações à presença de países externos à aliança. A formulação pública do pacto sugere que Washington conseguirá ampliar sua presença sem alterar formalmente a soberania dinamarquesa ou o direito dos groenlandeses de decidir seu futuro político.

Na semana passada, o governo da Groenlândia afirmou que o entendimento reforçaria a segurança conjunta. Frederiksen, por sua vez, destacou que a soberania do Reino da Dinamarca e a autodeterminação da população local permanecem reconhecidas no acordo.

Marco Rubio pressiona aliados por mais gastos no Ártico

Na segunda-feira, o secretário de Estado Marco Rubio pediu a aliados do Ártico, incluindo Canadá, Dinamarca, Groenlândia, Noruega e Suécia, que aumentassem os gastos com defesa na região. Ele também enfatizou a necessidade de desenvolver capacidades militares e econômicas soberanas e financiar infraestrutura considerada crítica.

As declarações se encaixam na preocupação mais ampla dos Estados Unidos com a segurança do Ártico. O acordo com a Groenlândia pretende fortalecer a presença militar ocidental e reduzir a possibilidade de que países fora da OTAN estabeleçam posições estratégicas no território.

China e Rússia estão entre os focos das restrições previstas

As disposições mais amplas descritas no material impediriam países não pertencentes à OTAN, especialmente China e Rússia, de estabelecer uma presença militar na Groenlândia. O acordo também proibiria investimentos considerados sensíveis por parte de países não aliados nos setores de minerais críticos e mineração.

O interesse estratégico pela Groenlândia aumentou à medida que o Ártico passou por mudanças que abriram novas rotas marítimas e tornaram depósitos minerais mais acessíveis. Estados Unidos, Rússia e China têm ampliado sua atenção sobre a região, elevando a importância de infraestrutura, transporte, minerais e presença militar.

Para Washington, impedir uma presença militar de rivais na Groenlândia tornou-se parte central do argumento de segurança. As restrições previstas sobre investimentos sensíveis também mostram que a disputa não é apenas militar. O controle sobre projetos de mineração e recursos críticos aparece como outro elemento do novo arranjo.

Segurança e recursos passam a fazer parte da mesma estratégia

A combinação de restrições militares e econômicas indica que os três governos pretendem tratar segurança territorial e investimentos estratégicos de maneira coordenada. O objetivo descrito não é bloquear toda atividade estrangeira, mas impedir que países considerados rivais obtenham posições militares ou acesso sensível a setores vistos como importantes para a segurança.

Esse desenho também aproxima a questão da Groenlândia de uma estratégia mais ampla para o Ártico. A região deixou de ser vista apenas como um espaço remoto e passou a ocupar uma posição maior nas preocupações de defesa, transporte e recursos naturais das principais potências.

Presença militar dos EUA na Groenlândia tem longa história

Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos mantiveram 17 instalações militares na Groenlândia, com mais de 10 mil militares. Com o passar das décadas, essa presença foi reduzida de forma significativa. Atualmente, a Pituffik Space Base permanece como a única estação norte-americana ativa na ilha, com cerca de 150 militares dos Estados Unidos.

A reabertura de Narsarsuaq e a criação de uma presença em Mestersvig representariam uma reversão parcial dessa redução. O movimento não retornaria à escala da Guerra Fria, mas ampliaria a distribuição geográfica das forças norte-americanas no território.

Narsarsuaq tem uma relação histórica direta com a presença dos Estados Unidos. A antiga Bluie West One foi fechada na década de 1950, deixando a área com uma população pequena. Mestersvig, por outro lado, já possui função militar dentro da estrutura dinamarquesa por meio da Sirius Patrol.

Novas posições ampliariam o alcance além de Pituffik

Com três pontos de presença, a estrutura norte-americana ficaria menos concentrada em uma única base. O material, porém, não informa quantos militares seriam enviados a cada instalação, quais equipamentos seriam posicionados ou quais missões específicas seriam conduzidas.

Por isso, a dimensão operacional da expansão permanece indefinida. O que está claro é a intenção de criar uma presença em duas áreas adicionais e integrar esse movimento ao acordo de segurança mais amplo com Dinamarca e Groenlândia.

O pacto tenta conciliar expansão militar e soberania

O novo entendimento chega após um período em que a questão da Groenlândia produziu tensão dentro da OTAN. A insistência de Trump em adquirir o território provocou reação dos groenlandeses e de aliados europeus. O acordo agora oferece uma alternativa em que os Estados Unidos podem ampliar sua presença militar sem uma transferência de soberania.

A posição dinamarquesa enfatiza precisamente esse ponto. Frederiksen afirmou que o pacto reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo groenlandês à autodeterminação. O governo da Groenlândia, por sua vez, apresentou o acordo como um reforço de segurança para todos os parceiros envolvidos. Ainda assim, os governos descrevem o entendimento como um reforço conjunto de segurança, preservando formalmente soberania e autodeterminação da população local afetada.

A formulação de Trump sobre “controle permanente” continua mais ampla e poderá ganhar contexto quando o texto final for assinado e divulgado. Até lá, não é possível afirmar exatamente como esse conceito será traduzido juridicamente ou operacionalmente.

Assinatura em Nova York deverá esclarecer os termos

A assinatura prevista na Assembleia Geral da ONU é o próximo passo central. Como o conteúdo completo permanece não divulgado, vários elementos ainda dependem da versão final do acordo.

O ponto confirmado no material é a intenção de expandir a presença militar dos Estados Unidos em Narsarsuaq e Mestersvig, ao mesmo tempo em que o acordo busca impedir presença militar de países não pertencentes à OTAN e limitar investimentos sensíveis de não aliados em minerais críticos e mineração.

Para a Groenlândia, o pacto surge como tentativa de reforçar a segurança sem abrir mão de sua posição declarada de que o território não está à venda. Para a Dinamarca, oferece um caminho para ampliar a cooperação com Washington mantendo a soberania do Reino. Para os Estados Unidos, cria uma estrutura mais ampla de presença militar e segurança no Ártico.

O acordo também marca uma mudança em relação às ameaças anteriores de Trump. Em vez de insistir na aquisição da ilha, Washington agora avança por meio de um pacto de segurança com os governos diretamente envolvidos. A eficácia e o alcance desse arranjo dependerão dos termos finais e de como as novas posições militares serão implementadas.

Com o Ártico ganhando importância estratégica, a Groenlândia permanece no centro das disputas sobre defesa, rotas marítimas e minerais críticos. A reabertura de uma base da Guerra Fria e a chegada de forças a um segundo posto mostram que essa importância está novamente se traduzindo em presença militar concreta.

Deixar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *