20 de October de 2026
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Rússia Unida lidera eleição em meio a ataques de drones em Moscou

  • setembro 21, 2026
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A Rússia Unida, partido governista alinhado ao presidente Vladimir Putin, caminhava para uma vitória confortável nas eleições parlamentares russas, de acordo com resultados oficiais parciais divulgados no domingo.

Rússia Unida lidera eleição em meio a ataques de drones em Moscou

A Rússia Unida, partido governista alinhado ao presidente Vladimir Putin, caminhava para uma vitória confortável nas eleições parlamentares russas, de acordo com resultados oficiais parciais divulgados no domingo. O pleito, o primeiro para a Duma desde o início da guerra em larga escala contra a Ucrânia em fevereiro de 2022, foi apresentado por Putin como um teste de apoio às políticas do Kremlin e à condução do conflito. Com 57,5% dos votos na contagem inicial, o partido aparecia muito à frente das demais legendas autorizadas a disputar assentos na câmara baixa do Parlamento.

O processo eleitoral ocorreu em um ambiente político fortemente controlado. Críticos do governo afirmam que o sistema não permite dissidência genuína, enquanto a maior parte dos candidatos abertamente contrários à guerra foi impedida de concorrer. Partidos como o Comunista, o ultranacionalista LDPR, o Novas Pessoas e o Rússia Justa apareciam bem atrás da Rússia Unida, embora ainda estivessem a caminho de conquistar cadeiras na Duma. Em temas centrais, essas siglas costumam votar da mesma forma que o partido governista.

Rússia Unida amplia vantagem em uma eleição marcada pela guerra

Os primeiros resultados colocaram a Rússia Unida com 57,5% dos votos, uma margem ampla sobre seus principais concorrentes. Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e ex-presidente do país, declarou rapidamente que o partido havia tido um desempenho digno e afirmou que o resultado demonstrava que os russos haviam renovado sua confiança na legenda para continuar governando.

Para o Kremlin, a eleição foi tratada como um indicador do apoio interno à guerra e às políticas de Putin. O presidente já havia convocado os cidadãos a participar, dizendo que o voto demonstraria unidade nacional, apoio aos militares russos e resistência a tentativas externas de enfraquecer o país. A Duma, composta por 450 cadeiras, tem apoiado de forma consistente as principais iniciativas do governo.

A oposição permitida no sistema continua limitada. A maioria dos candidatos antiguerra não pôde participar, e representantes do partido liberal Yabloko, que vinha obtendo percentuais de um dígito em eleições recentes, disseram temer pela própria liberdade depois que dois dirigentes importantes receberam longas penas de prisão antes do pleito por declarações relacionadas ao conflito.

As autoridades russas consideram crime desacreditar as Forças Armadas ou divulgar informações classificadas como falsas sobre a guerra, com possibilidade de penas severas. Em um gesto simbólico de protesto, o líder do Yabloko, Nikolai Rybakov, anulou publicamente sua cédula ao escrever o nome do partido e a frase “Pela paz”.

Voto foi apresentado pelo Kremlin como demonstração de unidade

A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, afirmou que os ataques registrados durante o pleito não afastaram os eleitores. Segundo ela, quanto maior a pressão externa, maior teria sido o nível de unidade pública observado. Dados da comissão mostravam comparecimento próximo de 57% no início da noite em Moscou.

Ataques de drones atingiram Moscou no último dia de votação

O processo eleitoral foi marcado por um ataque de drones em larga escala contra Moscou e outras regiões russas. Autoridades russas acusaram a Ucrânia de tentar interromper a votação. A agência estatal TASS descreveu a ofensiva como o maior ataque desse tipo desde o início da guerra, enquanto o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que a ação havia sido claramente planejada com o objetivo de atrapalhar o pleito.

Os ataques mataram três pessoas na região de Moscou e outras duas na parte da região de Kherson controlada pela Rússia, incluindo uma autoridade eleitoral, segundo autoridades regionais e a comissão eleitoral. Um prédio residencial de vários andares em Kotelniki, na região de Moscou, foi danificado, e uma instalação da refinaria de petróleo de Moscou, que já havia sido alvo anteriormente, também sofreu danos. Chamas e grandes colunas de fumaça foram observadas nos arredores da capital enquanto a votação ocorria.

O Ministério da Defesa russo afirmou que a Ucrânia também disparou mísseis de cruzeiro Flamingo e disse ter derrubado quase 2.000 drones ucranianos e oito mísseis de cruzeiro em diferentes regiões nas 24 horas anteriores. O ministério declarou que intensificaria seus próprios ataques contra alvos militares ucranianos em resposta.

Refinaria e áreas residenciais sofreram danos

A instalação atingida na refinaria de Moscou já havia sido alvo de ataques anteriores. Segundo autoridades russas citadas no material, o ataque também atingiu áreas residenciais. Em alguns pontos, moradores precisaram ser retirados de zonas danificadas. As autoridades apresentaram os ataques como parte de uma tentativa de pressionar o país justamente no encerramento da votação.

Sistemas eleitorais também enfrentaram ondas de ciberataques

Além dos drones, autoridades eleitorais russas relataram ondas de ciberataques contra sistemas de votação e redes de comunicação. Mesmo assim, disseram que o processo eleitoral transcorreu de forma majoritariamente estável. Em Moscou, autoridades afirmaram ter repelido um ataque intenso contra o sistema de votação eletrônica, enquanto o Ministério do Desenvolvimento Digital informou que uma tentativa de sabotagem contra linhas de comunicação no Extremo Oriente também havia sido bloqueada.

A oposição russa no exílio havia pedido que cidadãos contrários ao governo formassem filas em seções eleitorais ao meio-dia como forma de protesto. Longas filas foram observadas em alguns locais, mas não estava claro qual impacto a mobilização teria sobre o resultado geral.

O Kremlin deve usar o resultado como argumento de que Putin e sua política de guerra mantêm apoio popular. Críticos, porém, afirmam que a exclusão de candidatos antiguerra e a forte limitação política reduzem a capacidade do voto de medir de forma plena a diversidade de opiniões existentes no país.

Kyiv classificou o pleito como uma “pseudo eleição”

A Ucrânia, que suspendeu eleições enquanto vigora a lei marcial, rejeitou o pleito russo e o classificou como uma “pseudo eleição”. Moscou, por sua vez, acusa Kyiv de tentar interferir no processo por meio de ataques e operações de pressão. O governo russo também argumenta que um grau de censura e unidade nacional é necessário durante o que chama de operação militar especial na Ucrânia.

Partidos de oposição permitidos ainda podem ganhar algum espaço

Apesar de a vitória da Rússia Unida ser amplamente esperada, analistas observaram que partidos de oposição tolerados pelo sistema poderiam absorver parte do descontentamento econômico e social. O NEST, centro de estudos sediado em Berlim e cofundado pelo crítico do Kremlin Mikhail Khodorkovsky, afirmou que o Partido Comunista e o Novas Pessoas poderiam atrair votos que as autoridades prefeririam ver concentrados na Rússia Unida.

Segundo o centro, os efeitos da guerra são cada vez mais sentidos dentro da Rússia, e ansiedade e frustração acumuladas podem se refletir em apoio a partidos sistêmicos que permanecem autorizados a disputar a eleição. Esses grupos, entretanto, não representam uma oposição frontal ao Kremlin e, em questões importantes, costumam acompanhar a posição do partido governista.

A tensão econômica é parte do pano de fundo da eleição. A guerra já dura cinco anos e não mostra sinais claros de encerramento. Ao mesmo tempo, ataques ucranianos contra infraestrutura russa têm afetado refinarias e contribuído para pressões sobre combustíveis em algumas partes do país. O Kremlin continua apresentando a guerra como parte de uma disputa existencial contra um Ocidente hostil, enquanto acusa serviços de inteligência ucranianos e outros adversários de tentar estimular instabilidade interna.

Resultado deve ser interpretado dentro de um sistema controlado

Embora a Rússia Unida tenha obtido uma vantagem ampla nos resultados iniciais, o contexto político permanece central para interpretar o pleito. A maioria dos candidatos antiguerra foi barrada, os principais partidos autorizados não desafiam o Kremlin em questões fundamentais e as regras sobre críticas às Forças Armadas impõem riscos legais importantes aos opositores.

As filas convocadas pela oposição no exílio, o protesto simbólico de Rybakov e a possibilidade de votos migrarem para partidos sistêmicos mostram que há formas limitadas de manifestação dentro e fora das estruturas oficiais.

Eleição reforça a posição da Rússia Unida enquanto a guerra continua

Os resultados parciais indicam que a Rússia Unida deve manter o controle da Duma e oferecer ao Kremlin um resultado que poderá ser apresentado como demonstração de apoio às políticas de Putin. A votação aconteceu sob forte pressão de segurança, com drones atingindo Moscou e outras regiões, ataques contra infraestrutura e tentativas de comprometer sistemas eleitorais.

Ao mesmo tempo, a eleição ocorreu em um ambiente onde a competição política genuína permanece fortemente restrita. O fato de partidos permitidos poderem ganhar algum espaço não altera a expectativa de continuidade da ampla vantagem da Rússia Unida nem a predominância de forças políticas que apoiam o governo em temas estratégicos.

Para o Kremlin, ele pode ser utilizado como argumento de continuidade e unidade durante a guerra. Para seus críticos, o resultado precisa ser analisado à luz da exclusão de grande parte da oposição antiguerra e das limitações impostas ao debate público.

A primeira mensagem é eleitoral: a Rússia Unida segue claramente à frente e deve preservar sua posição dominante na Duma. A segunda é de segurança: o último dia de votação mostrou que a guerra continua alcançando diretamente o território russo, inclusive Moscou, com drones, danos a infraestrutura e vítimas.

Enquanto a contagem avançava, autoridades russas insistiam que os ataques não haviam alterado o funcionamento geral da votação. Ao mesmo tempo, o governo prometia intensificar sua resposta militar. Com a guerra entrando em seu quinto ano, os resultados devem agora ser incorporados à narrativa do Kremlin de continuidade política e apoio interno, enquanto a oposição permitida busca capturar parte da frustração econômica e social sem desafiar diretamente os principais pilares do sistema.

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