May 28, 2026
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Ouro estabiliza enquanto petróleo recua e mercados duvidam de acordo com o Irã

  • mai 25, 2026
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Os preços do ouro se estabilizaram na quinta-feira depois de caírem cerca de 1% mais cedo na sessão. O metal precioso recebeu apoio de um dólar mais fraco

Ouro estabiliza enquanto petróleo recua e mercados duvidam de acordo com o Irã

Os preços do ouro se estabilizaram na quinta-feira depois de caírem cerca de 1% mais cedo na sessão. O metal precioso recebeu apoio de um dólar mais fraco e da queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, enquanto os preços do petróleo recuavam em um mercado ainda dominado pela incerteza sobre um possível fim da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

O ouro à vista avançava levemente para US$4.547,54 por onça, enquanto os contratos futuros de ouro dos EUA para entrega em junho fecharam em baixa de 0,1%, a US$4.542,50. O movimento foi limitado, mas mostrou que investidores continuam divididos entre várias forças opostas: demanda por segurança, risco inflacionário, oscilações do petróleo e expectativas de política monetária do Federal Reserve.

A sessão foi especialmente volátil para a energia. O petróleo primeiro subiu e depois recuou, enquanto traders tentavam avaliar as chances reais de um acordo para encerrar o conflito. Essa volatilidade influenciou diretamente o ouro, já que os preços de energia continuam sendo um dos principais motores da inflação global.

Recuo do dólar apoia o ouro

Um dos fatores favoráveis ao ouro foi o enfraquecimento do dólar. Depois de atingir uma máxima de seis semanas mais cedo na sessão, a moeda americana reduziu seus ganhos. Isso tornou o ouro, cotado em dólar, relativamente mais barato para compradores que usam outras moedas.

Essa relação é clássica no mercado de metais preciosos. Quando o dólar cai, o ouro pode se tornar mais atraente para investidores internacionais. Por outro lado, um dólar forte tende a pesar sobre a demanda, pois aumenta o custo de compra para quem possui euros, libras, ienes ou outras moedas.

Na quinta-feira, a queda do dólar ajudou o ouro a recuperar parte das perdas. Mas o apoio foi limitado, porque investidores continuam cautelosos diante das incertezas geopolíticas e monetárias.

Rendimentos dos EUA também recuam

A queda nos rendimentos americanos também deu suporte ao metal. O rendimento do Treasury de 10 anos recuou cerca de 0,2%, reduzindo o custo de oportunidade de manter um ativo que não paga juros.

O ouro não gera cupom, ao contrário dos títulos. Quando os rendimentos sobem, investidores podem preferir ativos de renda fixa, que oferecem remuneração regular. Quando os rendimentos caem, essa concorrência fica menor, o que pode apoiar o ouro.

Ainda assim, o contexto permanece complicado. Mesmo com a queda dos rendimentos na sessão, eles continuam elevados em comparação com períodos de política monetária mais flexível. Os mercados ainda consideram que o Fed pode manter juros altos por mais tempo, ou até elevar novamente as taxas se a inflação energética persistir.

Incerteza sobre o Irã domina a sessão

O mercado segue dependente da evolução das negociações em torno da guerra no Irã. Informações contraditórias circulam sobre a possibilidade de acordo entre Washington e Teerã, mantendo forte volatilidade em commodities e moedas.

O ouro normalmente é visto como porto seguro em períodos de conflito. Mesmo assim, desde o início da guerra no fim de fevereiro, o metal caiu mais de 14%. Essa queda pode parecer contraditória, mas se explica pela alta dos rendimentos e pelas expectativas de política monetária mais restritiva.

Em outras palavras, a guerra apoia o ouro pelo canal do risco geopolítico, mas também o prejudica pelo canal da inflação e dos juros. Se o conflito eleva o petróleo, a inflação pode subir. Se a inflação sobe, bancos centrais podem manter ou elevar juros. E juros mais altos costumam ser negativos para o ouro.

Petróleo continua sendo o principal fator de inflação

O petróleo teve uma sessão agitada. Os preços chegaram a subir até 3% antes de recuar, refletindo a incerteza sobre o possível fim do conflito. O mercado continua especialmente sensível a qualquer notícia sobre o Estreito de Hormuz, sanções, negociações nucleares e segurança marítima.

A guerra perturbou o tráfego marítimo na região, especialmente em torno do Estreito de Hormuz, sustentando os preços de energia e reforçando temores inflacionários. Para investidores em ouro, essa situação é duplamente importante.

De um lado, a alta do petróleo pode reforçar o apelo do ouro como proteção contra a inflação. De outro, se essa inflação levar o Fed ou outros bancos centrais a endurecerem suas políticas, o ouro pode ser penalizado.

É essa contradição que explica a cautela atual no mercado.

Expectativas de alta de juros pesam sobre o metal

Traders agora avaliam em cerca de 58% a probabilidade de pelo menos uma alta de juros de 25 pontos-base pelo Fed até o fim do ano. Essa probabilidade era de 48% no dia anterior, o que mostra uma mudança rápida nas expectativas.

Essa evolução é desfavorável para o ouro. Embora o metal precioso seja frequentemente visto como uma proteção contra a inflação, ele tende a ter desempenho mais fraco quando os juros reais ou nominais permanecem elevados. Investidores podem então preferir títulos, caixa remunerado ou outros ativos que oferecem rendimento.

Giovanni Staunovo, analista do UBS, destacou que a alta do petróleo, ao alimentar a inflação, pressiona bancos centrais a manter juros inalterados ou considerar novas altas. Segundo ele, isso continua sendo um obstáculo para o ouro no curto prazo.

O mercado do ouro precisa, portanto, lidar com uma equação difícil: o risco geopolítico sustenta a demanda defensiva, mas a perspectiva de juros elevados limita o potencial de alta.

Traders continuam cautelosos

Peter Grant, estrategista de metais da Zaner Metals, afirmou que o recuo do petróleo e do dólar pode apoiar o ouro no curto prazo. Mas ele também lembrou que os traders seguem cautelosos, pois acordos diplomáticos podem rapidamente fracassar.

Essa prudência é lógica. As conversas entre Estados Unidos e Irã já passaram por várias fases de otimismo e decepção. Cada anúncio pode movimentar petróleo, dólar, rendimentos e ouro em poucos minutos.

Nesse ambiente, investidores muitas vezes evitam posições muito agressivas. Eles esperam sinais mais claros: um acordo oficial, reabertura duradoura das rotas energéticas, queda no risco de escalada ou mudança nas expectativas sobre o Fed.

Prata, platina e paládio avançam

Os outros metais preciosos tiveram desempenho melhor. A prata à vista subiu 0,9%, para US$76,63 por onça. A platina avançou 0,6%, para US$1.962, enquanto o paládio ganhou 1,1%, para US$1.384,50.

A prata às vezes se beneficia de um perfil duplo: metal precioso e metal industrial. Ela pode reagir tanto aos movimentos do ouro quanto às expectativas sobre atividade econômica. Platina e paládio, por sua vez, estão mais ligados à indústria automotiva, catalisadores, oferta de mineração e condições específicas do mercado de metais do grupo da platina.

A alta desses metais mostra que o mercado de metais preciosos não reage de forma uniforme. O ouro permanece mais diretamente ligado aos juros, ao dólar e ao risco geopolítico, enquanto os outros metais podem incorporar fatores industriais e físicos mais específicos.

O que investidores devem acompanhar

O primeiro fator a observar é a evolução das negociações entre Washington e Teerã. Um acordo crível poderia reduzir o risco geopolítico, derrubar o petróleo e pesar sobre a demanda por ouro como porto seguro. Mas também poderia reduzir expectativas de inflação, o que seria potencialmente favorável se os rendimentos caíssem.

O segundo fator é o petróleo. Uma nova alta forte da energia poderia reacender temores inflacionários e empurrar rendimentos para cima, o que seria negativo para o ouro.

O terceiro fator é o dólar. Se a moeda americana retomar a alta, o ouro pode voltar a ficar pressionado. Se o dólar continuar perdendo força, o metal pode encontrar apoio.

O quarto fator é o Fed. Os próximos dados de inflação, emprego e consumo serão essenciais para determinar se uma alta de juros continua provável até o fim do ano.

Por fim, os rendimentos reais devem continuar no centro da análise. Enquanto permanecerem elevados, o ouro terá dificuldade para construir uma tendência de alta sustentável.

Conclusão

O ouro se estabilizou na quinta-feira após uma queda inicial, apoiado por um dólar mais fraco e por rendimentos americanos em recuo. Mas o metal precioso continua preso entre duas forças opostas: a incerteza geopolítica em torno do Irã, que pode sustentar a demanda por proteção, e as expectativas de juros mais altos, que limitam seu apelo.

A volatilidade do petróleo continua sendo o principal fator de mercado. Se as negociações avançarem e a energia cair de forma duradoura, o ouro pode se beneficiar de rendimentos mais baixos. Mas, se o conflito se prolongar e alimentar a inflação, o Fed pode ser pressionado a seguir restritivo, mantendo pressão sobre o metal.

Por enquanto, o mercado permanece cauteloso. O ouro respira com a queda do dólar e dos rendimentos, mas uma recuperação sustentável dependerá da diplomacia, do petróleo e da trajetória dos juros americanos.

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