O bitcoin voltou a chamar fortemente a atenção do mercado com um cenário que está ficando claramente mais ambicioso. Depois de um período de forte volatilidade, a principal criptomoeda parece entrar novamente em uma fase mais construtiva, com um alvo que começa a aparecer com mais frequência nas análises: a região dos US$ 90 mil. Esse novo otimismo não se baseia apenas em um repique de preço ou em uma melhora passageira do humor dos investidores. Ele também é sustentado por dados on-chain muito relevantes, que mostram que os maiores participantes do mercado voltaram a comprar em escala muito expressiva.
Segundo os dados citados, as baleias, ou seja, entidades que possuem mais de 1.000 BTC, adicionaram cerca de 270 mil bitcoins às suas carteiras nos últimos 30 dias. Esse ritmo de compra seria o mais forte desde 2013, o que já mostra a dimensão do movimento. Mais impressionante ainda, essa acumulação equivaleria a aproximadamente 20 vezes a nova oferta diária de bitcoin criada no mesmo período. Em outras palavras, os grandes detentores compraram muito mais do que o próprio mercado produziu diariamente.
Esse tipo de dinâmica altera profundamente a estrutura do mercado. Quando a nova oferta é absorvida com tanta força por mãos fortes, a pressão vendedora disponível no mercado spot pode diminuir rapidamente, principalmente se a demanda começar a melhorar ao mesmo tempo. É justamente esse tipo de configuração que leva alguns analistas a enxergarem um retorno para a faixa dos US$ 90 mil, ou até acima disso, como algo cada vez mais plausível.
As baleias estão acumulando no ritmo mais forte em mais de uma década
Um dos aspectos mais importantes da leitura atual do bitcoin é justamente o comportamento das grandes carteiras. As baleias acrescentaram aproximadamente 270 mil BTC às suas posições nos últimos 30 dias, em um movimento que a CryptoQuant descreve como a maior onda de acumulação desde 2013.
Esse número precisa ser colocado em perspectiva. No mercado de bitcoin, as baleias são acompanhadas de perto porque não representam apenas investidores com muito capital. Elas também são atores capazes de influenciar a estrutura da oferta disponível, o ritmo de circulação dos ativos e, em alguns momentos, até o próprio sentimento do mercado. Quando elas acumulam fortemente em uma fase de volatilidade, isso costuma enviar uma mensagem implícita: os níveis atuais ainda são vistos como atrativos, apesar das incertezas de curto prazo.
E é exatamente isso que o cenário atual parece mostrar. Mesmo com o bitcoin tendo enfrentado recentemente fortes oscilações, incluindo uma queda de cerca de 15% antes de recuperar praticamente todas essas perdas, os maiores detentores continuaram comprando. Esse comportamento não se parece com simples especulação oportunista de curtíssimo prazo. Ele sugere uma leitura estratégica na qual momentos de fraqueza são tratados como oportunidade de acumulação.
Strategy participou, mas não explica o movimento inteiro
Parte dessa acumulação teria vindo da Strategy, cujos registros recentes mostram a compra de aproximadamente 42.166 BTC entre março e abril. Isso representa em torno de 16% dos 270 mil BTC adicionados às carteiras das baleias no mesmo intervalo.
Esse dado é importante porque ajuda a entender melhor a natureza dos fluxos. A Strategy já ocupa um papel central no mercado de bitcoin, a ponto de cada nova compra da empresa ser observada como um evento relevante por si só. Mas, neste caso, embora sua participação seja expressiva, ela não explica sozinha todo o movimento. Isso significa que outros agentes importantes também estiveram por trás dessa absorção agressiva de oferta.
Ou seja, trata-se de um fenômeno mais amplo do que apenas o “efeito Strategy”. Não é um único comprador institucional dominando temporariamente as estatísticas. É uma onda de acumulação mais profunda e espalhada entre os grandes detentores do mercado.
Os ETFs spot americanos também mostram retorno, mas ainda com cautela
Os ETFs spot de bitcoin nos Estados Unidos registraram mais de US$ 200 milhões em entradas líquidas durante esse período. Isso é positivo porque mostra que Wall Street não está fora do movimento. Ainda assim, esses fluxos permanecem modestos quando comparados a fases mais agressivas do ciclo anterior.
Essa nuance importa bastante. Ela sugere que os investidores institucionais americanos estão voltando ao bitcoin, mas ainda de forma cuidadosa. Em outras palavras, o mercado ainda não está vivendo uma corrida institucional explosiva. O que existe, por enquanto, é uma espécie de reengajamento gradual, o que pode ser interpretado de duas formas.
De um lado, isso reduz o risco de uma euforia excessiva de curtíssimo prazo, o que é saudável para a estrutura do mercado. De outro, mostra que ainda existe espaço considerável caso o interesse institucional se intensifique nas próximas semanas. Nesse contexto, os fluxos dos ETFs funcionam menos como o motor único da alta e mais como um reforço adicional a uma dinâmica que já está favorável do lado das baleias.
O repique do bitcoin também foi ajudado pela melhora geopolítica
A acumulação recente aconteceu durante um período de mercado bastante agitado, marcado por movimentos fortes de preço. O bitcoin sofreu primeiro uma correção de cerca de 15%, antes de recuperar esse terreno. Parte desse repique foi apoiada pelo alívio relativo nas tensões entre Estados Unidos e Irã, o que ajudou a melhorar o apetite global por risco.
Esse ponto importa porque o bitcoin continua operando em um ambiente em que fatores macroeconômicos e geopolíticos exercem grande influência. Quando o mercado começa a acreditar que o pior pode ser evitado no Oriente Médio, isso ajuda a reduzir pressão sobre energia, ameniza certas preocupações inflacionárias e melhora o humor geral dos investidores. Nesse tipo de ambiente, os ativos de risco, incluindo as criptomoedas, tendem a encontrar mais suporte.
O bitcoin, portanto, se beneficia agora de uma combinação interessante: grandes agentes acumulando de forma agressiva, enquanto o pano de fundo macro fica um pouco menos hostil. Essa combinação aumenta naturalmente a chance de um movimento altista mais significativo caso os principais níveis técnicos sejam superados.
A configuração técnica também reforça o alvo de US$ 90 mil
Além dos dados on-chain, o gráfico do bitcoin também começa a favorecer mais claramente a tese de alta. Tecnicamente, o preço teria entrado na fase de rompimento de um triângulo simétrico, uma figura clássica da análise gráfica.
Esse tipo de formação pode romper para qualquer lado, independentemente da tendência anterior. Mas, quando o rompimento ocorre para cima, o alvo técnico costuma ser calculado projetando a altura máxima da figura a partir do ponto de saída. No caso do bitcoin, essa projeção apontaria para uma região próxima de US$ 92.220, com um horizonte que pode se estender entre abril e maio.
Esse detalhe é importante porque mostra que a tese dos US$ 90 mil não depende apenas da narrativa de acumulação das baleias. Ela também encontra apoio em uma estrutura técnica tradicional, visível para um grande número de traders. Quando uma mesma faixa de preço começa a aparecer tanto nos dados on-chain quanto na leitura gráfica, ela ganha naturalmente mais credibilidade.
A média móvel exponencial de 200 dias segue sendo a grande barreira
Mesmo com a melhora da configuração técnica, o bitcoin ainda precisa superar uma barreira decisiva para confirmar plenamente o cenário de alta. Trata-se da média móvel exponencial de 200 dias, localizada perto de US$ 83 mil.
Esse nível é muito relevante porque já havia limitado as tentativas de rompimento para cima em janeiro. Ou seja, ele funciona como uma resistência central, observada tanto por traders técnicos quanto por investidores que usam grandes médias móveis para mapear tendências de prazo mais longo.
Se o bitcoin conseguir se estabelecer claramente acima dessa região, o mercado pode começar a mirar com mais convicção a projeção do triângulo, isto é, a faixa dos US$ 92 mil. Por outro lado, enquanto essa resistência não for rompida de forma limpa, parte do mercado continuará cautelosa.
Em outras palavras, o caminho até os US$ 90 mil parece cada vez mais aberto, mas passa antes pela reconquista decisiva da região dos US$ 83 mil.
O cenário dos US$ 90 mil também depende do macro
O cenário altista não depende apenas de força interna do mercado cripto. Ele também continua ligado ao ambiente macroeconômico. O texto lembra que Nic Puckrin, analista cripto e fundador do Coin Bureau, acredita que o bitcoin pode avançar até US$ 90 mil se algumas condições forem mantidas: permanência do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, queda do petróleo para perto de US$ 80, e dados econômicos mais fracos que ajudem a reduzir o medo de estagflação.
Essa leitura é coerente com a forma como o mercado tem se comportado recentemente. O bitcoin voltou a ficar bastante sensível às expectativas sobre juros, à trajetória da inflação e ao sentimento geral de risco. Se o petróleo aliviar, se a inflação energética perder força e se os dados econômicos diminuírem o medo de um ambiente de estagflação, então o bitcoin encontra um terreno muito mais favorável para continuar subindo.
Dentro dessa lógica, o mercado cripto não sobe isoladamente. Ele sobe porque vários ventos deixam de soprar contra ao mesmo tempo.
Uma estrutura de mercado que pode ficar explosiva
O que torna o momento atual especialmente interessante é a combinação entre oferta mais restrita, acumulação agressiva e melhora do sentimento. Quando as baleias absorvem de forma massiva a nova oferta, os ETFs voltam gradualmente e o ambiente macro se torna um pouco menos pesado, a estrutura do mercado pode rapidamente ficar mais apertada do lado comprador.
Nesse tipo de cenário, às vezes basta um catalisador técnico ou uma aceleração adicional dos fluxos para disparar uma fase de alta muito mais rápida. É justamente por isso que metas como US$ 90 mil ou US$ 92 mil começam a reaparecer com mais frequência. O mercado já não está vendo apenas um repique. Ele começa a considerar a possibilidade de uma extensão altista mais forte se a grande resistência for superada.
Claro, nada disso é garantia. O bitcoin continua sendo um ativo volátil, sensível a mudanças bruscas de humor, choques macroeconômicos e ondas de liquidação. Mas o que muda agora é que o cenário altista se apoia em vários pilares ao mesmo tempo, e não em apenas um fator isolado.
Conclusão
O bitcoin volta a ficar em posição de mirar os US$ 90 mil. As baleias absorveram cerca de 270 mil BTC em 30 dias, o equivalente a aproximadamente 20 vezes a nova oferta diária, no que parece ser a maior fase de acumulação desde 2013. A Strategy participou desse movimento, mas responde apenas por uma parte dele, enquanto os ETFs spot americanos mostram um retorno ainda cauteloso, porém positivo, do capital institucional.
Ao mesmo tempo, o contexto macro melhorou um pouco com o alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã, o que ajudou a sustentar o retorno do apetite por risco. No lado técnico, o bitcoin está saindo de um triângulo simétrico com alvo teórico perto de US$ 92.220, desde que consiga primeiro romper a zona crítica da média móvel exponencial de 200 dias em torno de US$ 83 mil.
Em resumo, o cenário dos US$ 90 mil já não depende apenas do entusiasmo do mercado. Ele passa a se apoiar em uma combinação rara de acumulação massiva, estrutura técnica favorável e ambiente macro um pouco mais respirável. Se esses elementos continuarem alinhados, o bitcoin poderá testar níveis muito mais altos nas próximas semanas.