A Ucrânia avalia aumentar o transporte de grãos por ferrovia através da Moldávia para reduzir sua dependência das rotas marítimas, que ficaram mais arriscadas após a intensificação dos ataques russos contra navios e infraestrutura portuária ucraniana.
Segundo fontes na Ucrânia e na Moldávia citadas pela Reuters, Kyiv pretende utilizar o território moldavo para enviar grãos até o porto romeno de Constanța.
A Ucrânia também pediu uma redução de 50% na tarifa ferroviária nominal para tornar a rota mais competitiva.
Os dois países ainda discutem os volumes e o cronograma do possível corredor.
Ataques russos aumentam necessidade de alternativas
Grande parte das exportações ucranianas passa pelos portos do Mar Negro.
Um corredor de segurança também permite que embarcações sigam em direção à Romênia.
Nos últimos meses, porém, essas rotas enfrentaram um número maior de ataques russos contra navios ucranianos e infraestrutura portuária.
O complexo portuário de Odesa está entre as áreas afetadas.
Esse cenário aumentou a necessidade de alternativas logísticas capazes de preservar parte das exportações agrícolas.
Kyiv pede desconto de 50% no frete
A Ucrânia deseja pagar metade da tarifa ferroviária nominal para transportar seus grãos pelo território moldavo.
Um alto funcionário do setor ucraniano afirmou que as autoridades ainda estão coletando informações sobre os volumes que transportadores teriam interesse em utilizar nessa rota.
O levantamento ainda não foi concluído.
Uma fonte da Moldovan Railways confirmou que Kyiv apresentou o pedido de desconto durante as negociações.
Moldávia quer garantias de volume
A Moldávia respondeu pedindo garantias sobre os volumes de grãos que seriam efetivamente transportados.
Esse ponto é importante para determinar a viabilidade econômica do projeto.
Uma redução significativa nas tarifas pode ser mais atraente para Chisinau se houver fluxo elevado e regular de cargas.
Por isso, as duas partes estão negociando ao mesmo tempo preço, quantidade e duração do corredor.
Rota pode transportar 4,5 milhões de toneladas por ano
Oleg Tofilat, ex-diretor da Moldovan Railways, afirmou que um corredor ferroviário através do país poderia transportar aproximadamente 4,5 milhões de toneladas métricas por ano.
Estimativas ucranianas indicam que uma rota plenamente operacional poderia representar cerca de 10% das exportações do país.
Esse volume não substituiria os portos marítimos.
Ainda assim, representaria uma alternativa relevante em períodos de maior interrupção logística.
Moldávia já transportou grãos ucranianos antes
A ideia tem precedentes.
A Moldávia já forneceu transporte ferroviário para grãos ucranianos em 2022 e 2023.
Isso significa que parte da experiência operacional e das estruturas necessárias já existe.
O desafio atual é criar um corredor capaz de movimentar volumes maiores e de forma mais previsível.
As condições comerciais também precisarão ser suficientemente competitivas.
Constanța seria o destino dos carregamentos
Os grãos seriam transportados pela Moldávia até o porto romeno de Constanța.
O terminal representa uma importante saída para mercados internacionais.
A rota permitiria que os carregamentos saíssem da Ucrânia por terra antes de chegar à Romênia.
Isso ofereceria maior diversificação em relação às rotas marítimas diretamente expostas aos ataques.
Governos discutem melhorias na ferrovia
O ministro da Infraestrutura e Desenvolvimento Regional da Moldávia, Vladimir Bolea, visitou a região ucraniana de Odesa na segunda-feira.
Ele se reuniu com o homólogo ucraniano Mykola Kalashnyk.
As conversas incluíram melhoria das conexões ferroviárias e expansão do trânsito de cargas.
A reunião mostra que o projeto envolve também decisões de infraestrutura e coordenação governamental.
Ucrânia reduz previsão de exportações de grãos
Os ataques contra os portos já afetaram as perspectivas para a temporada 2026-2027.
O ministro da Agricultura da Ucrânia, Taras Vysotskyi, informou que a previsão oficial de exportações de grãos foi reduzida.
Agora, o governo espera entre 38 milhões e 40 milhões de toneladas métricas.
Antes, a expectativa era de 43 milhões de toneladas.
A revisão foi atribuída às interrupções provocadas pelos ataques russos aos portos.
APK-Inform também corta projeção
Analistas da APK-Inform reduziram sua previsão de exportações em 8,6%.
A estimativa passou para 39,4 milhões de toneladas.
A mudança também foi atribuída às dificuldades nas rotas de exportação.
As revisões reforçam a percepção de que os problemas logísticos estão começando a ter impacto mensurável sobre os volumes que o país poderá vender ao exterior.
Mais de 90% dos grãos saem pelos portos
A vulnerabilidade é elevada porque a Ucrânia depende fortemente do transporte marítimo.
Mais de 90% das exportações ucranianas de grãos passam normalmente pelos portos marítimos.
Os produtos agrícolas também representam a maior parcela das exportações totais do país.
Qualquer interrupção prolongada pode, portanto, afetar diretamente a capacidade de geração de receita comercial da Ucrânia.
Corredor ferroviário seria complementar
Mesmo com uma capacidade estimada de 4,5 milhões de toneladas por ano, a ferrovia pela Moldávia não substituiria as exportações marítimas.
Seu papel seria principalmente complementar.
Ela poderia absorver parte dos volumes durante períodos em que os portos enfrentassem ataques ou interrupções mais graves.
Essa diversificação reduziria a dependência de uma única rota.
Moldávia vê oportunidade de receita
O primeiro-ministro moldavo Vasile Tofan afirmou que o país não deveria perder a oportunidade de ganhar milhões de euros com o trânsito dos grãos ucranianos.
Para Chisinau, portanto, o corredor também representa uma oportunidade econômica.
Maior movimentação ferroviária pode gerar receita para as empresas e infraestruturas de transporte moldavas.
O valor final dependerá dos volumes e das tarifas negociadas.
Produtores moldavos demonstram preocupação
Grupos agrícolas da Moldávia levantaram preocupações sobre o impacto dos grãos ucranianos.
Eles temem que preços mais baixos possam pressionar os produtores locais.
Tofan rejeitou essa interpretação e argumentou que o país não deveria tratar os carregamentos ucranianos como uma ameaça automática.
A fonte não fornece dados suficientes para medir qual seria o impacto real sobre os preços domésticos.
Trânsito não significa venda no mercado local
Um ponto importante é a diferença entre mercadorias em trânsito e importações destinadas ao consumo interno.
O corredor em negociação pretende levar os grãos até Constanța.
Nesse cenário, a Moldávia atuaria principalmente como território de passagem.
O impacto sobre produtores locais dependeria, portanto, das regras aplicadas ao trânsito e de quanto produto permaneceria efetivamente no mercado moldavo.
Ferrovia oferece segurança, mas custo é desafio
O principal benefício da rota terrestre é reduzir a exposição às ameaças enfrentadas pelo transporte marítimo.
O principal obstáculo é o custo.
Transportar grandes volumes de produtos agrícolas por ferrovia tende a exigir condições tarifárias competitivas.
É por isso que a Ucrânia está buscando um desconto de 50%.
Sem redução de custos, o corredor pode ter utilização menor do que sua capacidade potencial.
Conclusão
Ucrânia e Moldávia estão discutindo um corredor ferroviário para transportar grãos ucranianos até o porto romeno de Constanța.
Kyiv pede desconto de 50% na tarifa de frete, enquanto Chisinau busca garantias sobre os volumes.
A rota poderia movimentar até 4,5 milhões de toneladas por ano e representar cerca de 10% das exportações ucranianas.
As negociações ocorrem após ataques russos contra portos levarem a Ucrânia a reduzir sua previsão de exportações de grãos para 38 milhões a 40 milhões de toneladas na temporada 2026-2027.
Ponto-chave final
A ferrovia pela Moldávia não substituiria o Mar Negro, mas poderia se tornar uma rota de segurança importante para a Ucrânia. O sucesso do projeto dependerá sobretudo do acordo sobre tarifas, das garantias de volume e da capacidade das redes ferroviárias moldavas de lidar com milhões de toneladas adicionais de grãos.